Um novo ano pressupõe mudanças e reflexões. Já há muito tempo que sobrevoava sobre a minha cabeça muita coisa em relação ao tipo de utilizador que sou. Como me comporto, como ajo, o que vejo, o que procuro. A minha experiência nos últimos tempos levou-me a pensar que às vezes é melhor ninguém saber de tudo, ninguém mesmo, mas depois leva-me a uma vertente mais filosófica onde entro numa tempestade mental contra mim, debato sobre o abrir portas para um completo desconhecido me conhecer melhor. O que traria de benéfico para mim, essa abertura? Bem, de benéfico, realmente não traria muito, muito pouco até, se incluirmos questões de segurança e privacidade. Na bonança, concluo que realmente é a partilha que nos faz crescer. Saber assumir os erros, ou as decisões tomadas que trouxeram resultados menos conseguidos, na esperança que alguém aprenda ou ajude a superar obstáculos similares.
Este ano que passou, findo um projeto que sempre escondi, o Seven Bar. Se por um lado, eu omitia este meu “side job” em entrevistas, ou assuntos profissionais – não que me faltasse humildade ou verdade em o assumir; por outro foi através dele que aprendi ao longo destes últimos 5 anos algo que sabia que era valioso, mas não lhe dava o devido apreço. Não sei se será o peso da idade a apoderar-se do meu vocabulário e colocando barba e cabelo, de forma muito discreta, transformando-me numa espécie de velho do restelo. Essa coisa que menosprezava e lhe encontrei valor e o maior dos respeitos é: o tempo.
Esta meia década escondida, tinha uma razão. Partilhar algo relacionado com um negócio de bebidas, um bar, não abona nada a favor em termos profissionais para quem se vende como uma pessoa que lida com design, com o digital, com a comunicação. Ah! Espera lá. Na verdade, esta última faz todo o sentido. E foi começando a fazer cada vez mais, e no meio da tal tempestade, antes de vir a tal bonança, foi fazendo cada vez mais sentido. Aprendi muito. Como gestor de um negócio, independentemente da sua natureza, tive de lidar com um mundo onde a comunicação era rainha. O atendimento ao público é uma tarefa atroz, mas muitas vezes agridoce, tornando-se satisfatória e enriquecedora ao mesmo tempo.
Se me perguntarem, o que foi mais difícil? Sem dúvida, a árdua tarefa de gerir e lidar com pessoas. Os números, contas, operações, processos e esquemas são fáceis, não passam disso mesmo, não enganam, não são falsos, não mentem, não adoecem, não têm filhos, não tem dias melhores e outros piores. As pessoas, não. São difíceis de lidar, são imprevisíveis. Aprendi muito a lidar e encarar situações onde não me veria a usar a hipócrisia ou a enaltecer algo menor, para não focar uma parte negativa de um acontecimento, não me veria, mas tive que me fazer ver, para bem da pessoa, para bem do cliente, para bem do negócio. É claro, que nem tudo é um mar de rosas e dei por mim a conhecer-me em situações de irritação ou exaltação – aqui assumo que talvez nunca o devesse ter feito; mas se alguma dessas situações foi para defender um colaborador, um colega ou alguma falta de respeito, esse arrependimento torna-se muito mais tímido.
Estes comportamentos, estas mudanças repentinas de humor são condenáveis, eu próprio sou e serei o meu carrasco. Assumirei quando falhar. E olhando para trás acho que é algo bom até. O assumir o erro, algo em decadência no nosso quotidiano. Olhando para trás, é desculpável.
Ao mesmo tempo que decorria esta experiência e gosto antigo em ter um negócio perto de pessoas, estive numa agência de publicidade, a AURATUS | Creative Studio, enquanto tirava o curso de UI/UX Design na EDIT. – Porto (a sair do trabalho 1H mais cedo, pegar no carro, chegar a Aveiro às 18H, ir de comboio até Campanhã, para estar a sair da estação de metro da Trindade às 19H30, ter aulas, sair, reverter todo o processo e chegar a casa às 3H … fuuhh – confesso que foram meses complicados), depois do curso iniciei o processo para sair da agência, sou contactado para uma entrevista (uma das melhores que já tive, graças à Ana Patrícia e à Joana), entro como UX Designer na Altice Labs, quase como se um sonho (mas isto dava outra história) – aqui conheço pessoas fantásticas e que me ensinaram muito sem saberem; o contrato dura apenas 6 meses, não é renovado (toda outra história para depois), fico alguns meses no desemprego e eis que sou convidado para partilhar as rédeas da comunicação de uma agência … funerária. E após alguma hesitação … aceitei! É onde me encontro atualmente a trabalhar. O facto de pensar que haveria muito tempo teórico, de planeamento e de estratégia foi-se dissipando, e criámos … “muita lenha para nos queimarmos”, esta “lenha” trouxe a primeira distinção do Prémio 5 Estrelas – Regiões para uma Funerária a nível nacional, mais recentemente um Top Scoring 5% Melhore PME. Ambos fruto não do meu trabalho apenas, mas de toda uma equipa, desde a gestão ao colaborador mais recente. É o reflexo de quando geres e lidas bem com pessoas, quando há união, os resultados aparecem quando menos esperas, porque tu não estás focado em receber este tipo de resultados, mas sim de oferecer o melhor serviço e qualidade possíveis numa área onde a sensibilidade tem um peso avassalador.
Se tudo isto foi impensável na minha cabeça? Sim, claro que sim! Mas foram todas as decisões, as boas e as más que me trouxeram até aqui. À minha pequena história, ao meu partilhar de experiências e vivências, onde o meu carrasco me coloca a mão no ombro e me dá força para partilhar, para que surjam mais partilhas e menos medos em fazê-las porque todos nós temos a aprender muito uns com os outros. Devo agradecimentos a muitas pessoas em todos este caminho, devo-lhes isso, mas pessoalmente, sei que vai acontecer e que nos havemos de cruzar novamente. Obrigado a todos!